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Vídeo-Laparoscopia no Trauma Abdominal (1ª parte)

última atualização: 05/04/00 

  

 

Introdução

A laparoscopia consiste no exame da cavidade peritoneal a partir da visualização de seus órgãos por intermédio de um instrumento óptico introduzido através da parede abdominal.

O primeiro relato de utilização desse método data de 1901, quando Kelling empregou um cristoscópio para visualizar a cavidade abdominal de cães. Denominou o procedimento de celioscopia. Entretanto, somente durante a Segunda Guerra Mundial o método foi empregado como exame auxiliar diagnóstico no abdome agudo.

Em 1956, Lanny e Sarles relataram a primeira publicação na literatura sobre a utilização da laparoscopia no trauma, apresentando dois casos de rotura do baço diagnosticadas pelo método. Dessa publicação em diante verificamos vários trabalhos mostrando as qualidades diagnósticas da laparoscopia em pacientes com suspeita clínica de comprometimento visceral intraperitoneal agudo, traumático ou não.

Assim, são candidatos à laparoscopia diagnóstica todos os doentes que, inicialmente submetidos à avaliação clínica, permaneçam com quadro abdominal duvidoso quanto à presença de comprometimento visceral intra-abdominal após a realização dos exames clínico e laboratorial pertinentes de entrada.

O equipamento de vídeo-laparoscopia consiste em um monitor de alta resolução, fonte de luz, aparelho de vídeo-câmera, insuflador de CO2, agulha de Verres, sistema óptico, trocartes de tamanhos diversos e pinças variadas que auxiliam no inventário da cavidade abdominal e na realização de alguns procedimentos.

O exame deve ser realizados no centro cirúrgico, sob anestesia geral, monitoração cardíaca contínua e a sondagem nasogástrica e vesical são obrigatórias. Após anti-sepsia adequada, é feita incisão de pele e subcutâneo com bisturi, através da qual é ntroduzida agulha de Verres, na cavidade abdominal, conectada a um insuflador de CO2 para realização de pneumoperitônio. A pressão intra-abdominal não deve ultrapassar15 mm. de mercúrio, a fim de evitar complicações respiratórias e hemodinâmicas. A seguir, a agulha é substituída por um trocarte de 10 mm. para a introdução da óptica através do mesmo, iniciando-se o inventário da cavidade abdominal.

O exame laparoscópico deve obedecer uma seqüência para que toda a cavidade abdominal seja devidamente avaliada. Assim, inicialmente, aborda-se o andar supramesocólico, examinando-se o fígado, o baço, o diafragma, os ligamentos redondo e falciforme hepáticos, assim como o perotônio parietal da região e a parede anterior do estômago. A seguir, examina-se as goteiras parietocólicas direita e esquerda, procurando se evidenciar não só a presença de líquidos mas possíveis afecções dos segmentos cólicos e apêndice. Em seguida inspeciona-se o colo transverso e, manuseando-se o palpador, inspeciona-se o intestino delgado, dentro das limitações próprias do método. Em pacientes do sexo feminino passa-se, então, ao exame dos órgãos genitais internos.

A experiência com a vídeo-laparoscopia na cirurgia do trauma é inscipiente. No entanto, há grande potencial para sua aplicabilidade. A laparoscopia pode ser utilizada como método diagnóstico no trauma abdominal, tanto nos ferimentos penetrantes quanto no trauma fechado. As condições para sua utilização incluem a estabilidade hemodinâmica do paciente e a existência de uma equipe treinada e disponível. Ela permite a visualização de penetração da cavidade, avaliação do grau de hemoperitônio, evitando laparotomias desnecessárias e possibilitando até a realização de procedimentos. (Quadro 1).


Diagnóstico de Penetração da Cavidade

    ·Diagnóstico precoce de lesões

    ·Avaliação do grau de hemoperitônio

    ·Evitar diagnóstico tardio

    ·Diminuir a incidência de laparotomias não terapêuticas

    ·Possibilitar tratamento conservador em casos selecionados

No trauma abdominal fechado o retardo diagnóstico de lesões ocorre muitas vezes em função da existência de lesões associadas, como TCE com rebaixamento dos níveis de consciência, as quais dificultam a avaliação abdominal. Mesmo os doentes conscientes e sem repercussão hemodinâmica, podem ser portadores de pequenas lesões de órgãos parenquimatosos, os quais não são diagnosticados por exames de imagem e acabam manifestando-se tardiamente, na vigência de complicações.

A vídeo-laparoscopia contribui para o diagnóstico preciso de lesões no trauma fechado através da avaliação quantitativa do hemoperitônio, aspiração do sangue, visualização do diafragma na sua totalidade, além de permitir a visualização do fígado e superfície retroperitoneal através da mobilização dos cólons direito e esquerdo (Quadro 2). A dificuldade outrora existente na visualização do baço com a laparoscopia convencional, é hoje eliminada através do acesso aos órgãos pelas pinças auxiliares, que permitem também “correr” alças intestinais.

 

continuação

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