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Trauma Pediátrico (1ª parte)

última atualização: 05/04/00 

  

 

Introdução

O trauma fechado é o tipo de trauma que predomina na população pediátrica, mas os ferimentos penetrantes parecem estar aumentando, particularmente em adolescentes e jovens.

Principais traumas:

    · 0 a 1 ano: asfixia, queimadura, afogamento, queda.

    · 1 a 4 anos: colisão de automóvel, queimadura, afogamento

    · 5 a 14 anos: colisão de automóvel, queimadura, afogamento, queda de bicicleta, atropelamento.

A seqüência de prioridades na avaliação e conduta da criança politraumatizada é a mesma do adulto (ABCD).

Cuidados a serem tomados:

    · Tamanho e forma: devido à menor massa corpórea da criança, a energia proveniente de forças lineares frontais, como as ocasionadas por pára choques, dispositivos de proteção e quedas resultam em um maior impacto por unidade de superfície corpórea. Além disso, essa maior energia é aplicada em um corpo com menos tecido adiposo, menos tecido conectivo elástico e maior proximidade entre os órgãos. Disso resulta uma alta freqüência de lesões de múltiplos órgãos observadas na população pediátrica.

    · Esqueleto: Tem calcificação incompleta, contém múltiplos núcleos de crescimento ativo e é mais flexível. Por essas razões, freqüentemente ocorre lesões de órgãos internos sem concomitante fraturas ósseas.

    · Superfície corpórea: A relação entre a superfície corpórea e o volume da criança é maior ao seu nascimento e diminui com o desenvolvimento. Consequentemente, a energia térmica perdida torna-se um importante fator e agressão na criança. A hipotermia pode instalar-se rapidamente e complicar o atendimento do paciente pediátrico hipotenso.

    · Efeitos a longo prazo: A maior preocupação no atendimento a criança traumatizada é com os efeitos que a lesão pode provocar no crescimento e no desenvolvimento da criança.


Controle das Vias Aéreas

O objetivo primário na avaliação inicial e na triagem da criança traumatizada é restaurar ou manter uma oxigenação tecidual adequada. Para isso é necessário o conhecimento das características anatômicas da criança:

    · Quanto menor a criança, maior é a desproporção entre tamanho do crânio e face. Isto proporciona uma maior tendência da faringe posterior acolabar e obliterar-se, pois o occipital, relativamente maior ocasionaria uma flexão passiva da coluna cervical.

    · As partes moles da orofaringe (por exemplo língua e amígdalas) são relativamente grandes, quando comparadas com a cavidade oral, que pode dificultar a visualização da laringe.

    · A laringe da criança tem um angulo antero caudal levemente mais pronunciado, dificultando a visualização para a intubação.

    · A traquéia do bebê tem aproximadamente 5 cm de comprimento e cresce para 7cm aos 18 meses.

    · Crianças até 3 anos tem occipital maior, por isso devemos tomar cuidado com a posição em DDH.

    · O tamanho da laringe na criança de 2 anos vai de C1 a C4, enquanto na maior de 2 anos vai de C2 a C5.

    · A posição da língua pode obstruir as vias aéreas.

    · A epiglote é estreita, curta, em forma de U.

    · A traquéia é curta.

    · O angulo mandíbular é maior - recém nascido 140ª e adulto 120ª.

    · A cricóide é menor em crianças de 8 - 10 anos. É o ponto de menor diâmetro da via respiratória. Quando entubar não será necessário o uso de sonda com “Cuff”.

    · Se a criança estiver respirando espontaneamente, a via aérea deve ser assegurada pelas manobras de tração de mento ou mandíbula. Após, a limpeza de secreções ou de fragmentos de corpos estranhos da boca e da orofaringe, deve-se administrar oxigênio suplementar. Se o paciente estiver inconsciente, podem ser necessários métodos mec6anicos de manutenção da permeabilidade da via aérea:

    · Cânula orofaringea (Guedel): A introdução da cânula orofaringea com sua concavidade voltada para o palato e a rotação de 180a não é recomendada para o paciente pediátrico. Pode ocorrer trauma de partes moles da orofaringe resultando em hemorragia. A cânula deve ser introduzida diretamente na orofaringe.

    · Intubação orotraqueal: É o meio mais seguro de ventilar a criança com uma área comprometida.

    · Cricotireoidostomia: Raramente é indicada. Quando o acesso e o controle da via aérea não podem ser efetuados através da máscara com balão de oxig6enio ou a intubação orotraqueal, a cricotireoidostomia por punção com agulha é o meio preferido

    · Ventilação: As crianças devem ser ventiladas com uma freqüência de aproximadamente 20 movimento pôr minuto, enquanto recém nascidos requerem 40 movimentos pôr minuto. O volume corrente de 7 a 10 ml por Kg de peso é apropriado tanto para recém nascidos como para crianças maiores. Cuidado com a pressão exercida manualmente na via aérea da criança, durante a ventilação. Deve-se lembrar da natureza frágil e imatura da árvore traqueobronquica e dos alvéolos, e assim, minimizar a possibilidade de lesão iatrogênica broncoalveolar (Barotrauma). O distúrbio ácido básico mais freqüente durante a reanimação pediátrica é a acidose secundaria à hipoventilação.


Choque

A Reserva fisiológica aumentada da criança permite manutenção dos sinais vitais perto do normal, mesmo na presença de choque grave. Este estado de “choque compensado” pode ser enganoso e mascarar uma grande redução de volemia.

A primeira resposta a hipovolemia é a taquicardia. Entretanto, deve-se tomar cuidado quando se monitora apenas a freqüência cardíaca da criança porque taquicardia também pode ser causada por dor, medo e “stress” psicológico. A pressão arterial indica a perfusão tecidual, assim como o débito urinário devem ser monitorados continuamente. A associação de taquicardia, extremidades frias e pressão arterial sistólica menor que 70mmHg, são claros sinais de choque em desenvolvimento. Como de regra a pressão arterial sistólica deve ser igual a 80mmHg, acrescido do dobro da idade em anos, enquanto a diastólica corresponde a 2/3 da pressão sistólica.

    · Reposição volêmica: É necessária uma redução de aproximadamente 25% do volume sangüíneo para produzir manifestações clínicas mínimas de choque. Na suspeita de choque fazemos administração de um volume de 20ml/Kg de peso de solução cristalóide. Se as alterações hemodinâmicas na melhorarem após a primeira infusão de volume, aumenta a suspeita de hemorragia continua e implica na administração de um segundo volume de 20ml/ Kg de peso de solução cristalóide. Se a criança não responder adequadamente, requer imediata transfusão sangüínea 10ml/ Kg de concentrado de hemacias.

    · Acesso venoso: Preferencialmente por punção percutânea, se não conseguir o acesso percut6aneo após duas tentativas, deve-se considerar a infusão intra-óssea em crianças abaixo de 6 anos de idade ou a dissecção venosa nas crianças maiores.

 

continuação

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