A PCR pós trauma é classificada em mortal, fatal e agônica conforme a ausência
de sinais vitais e sinais de vida. A utilização dessa classificação é útil
para estabelecer o prognóstico e auxilia na tomada da decisão para dar início
à ressuscitação.
Etiologia
A PCR pós traumática é associada às alterações provocadas por grande
perda sangüínea (principal causa), hipóxia acentuada ou tamponamento cardíaco
ou outra compressão mecânica que impeça a entrada e saída de sangue do coração.
A perda rápida e profusa de sangue, em conseqüência de lesões de grandes
vasos ou de vísceras parenquimatosas, resulta na PC devido a hipóxia tecidual
por falta de transportadores de oxigênio. Os principais sintomas que guiam este
diagnóstico são palidez cutânea, sudorese, perfusão deficitária e veias
colabadas.
A hipóxia acentuada também pode decorrer de uma obstrução de vias aéreas
(trauma buco-maxilo-facial, laringe ou traquéia), pneumotórax hipertensivo,
contusões pulmonares extensas, lesão medular alta, tórax flácido ou hemotórax
maciço. Aqui, tem-se como sintomas cianose, respiração paradoxal e assimetria
da expansibilidade torácica.
Também pode-se ter uma PC de causa primária, em pacientes que sofram o
traumatismo subseqüentemente, embora isto seja raro.
Diagnóstico e Prognóstico de PCR pós trauma
O diagnóstico do paciente é eminentemente clínico, em que se observa a ausência
de pulso carotídeo ou femural, ausência de bulhas cardíacas, midríase que
aparece de 30 seg. 1 min após a PCR e ausência de movimentos respiratórios. A
confirmação do diagnóstico pode ser feita através da monitorização cardíaca
através do ECG.
A presença de sinais de função neurológica ou Glasgow acima de 8
apresentam resultados mais favoráveis. Entre os pacientes com múltiplas lesões,
os com trauma penetrante possui melhor prognóstico que pacientes com
traumatismo fechado.
O tempo de PCR é muito importante. Muitos autores afirmam que após 4 a 10
min de isquemia, os danos neurológicos e cardíacos são irreversíveis.
Portanto as manobras de ressuscitação iniciadas em menos de 10 min oferecem
maior probabilidade de sucesso.
O prognóstico é melhor em pacientes que sofrem PCR na sala de emergência,
uma vez que a estrutura hospitalar oferece condições mais favoráveis e
permite a realização de manobras cirúrgicas, principalmente aquelas que visam
ao controle do sangramento.
Quanto ao tipo de arma, ferimentos provocados por projéteis de arma de fogo
levam a pacientes com pior prognóstico que aqueles com ferimento por arma
branca.