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Atendimento Inicial ao Politraumatizado (2ª parte)

última atualização: 05/04/00 

  

 

Circulação

Avalia-se o estado de perfusão tecidual através do pulso, da coloração da pele e do enchimento capilar. Geralmente, quando o pulso radial é palpável, a pressão sistólica está acima de 80 mmHg. A pressão arterial, a palidez cutânea e a sudorese são parâmetros que ajudam no diagnóstico.

Quando o volume de sangue circulante se reduz pela metade ou mais, a perfusão cerebral torna-se comprometida, levando o paciente à perda da consciência. Ao contrário, se o paciente encontra-se orientado e consciente, podemos presumir que a volemia é suficiente para manter a perfusão cerebral.

A causa principal de instabilidade hemodinâmica no politraumatizado é a perda sanguínea. O tamponamento e a compressão das lesões controlam adequadamente os sangramentos externos. As hemorragias externas não controladas com o tamponamento da lesão são melhor tratadas levando o paciente para a sala de cirurgia e realizando a exploração cirúrgica do ferimento, sob anestesia geral. Além disso, deve-se assegurar acesso venoso através da punção de no mínimo 2 veias periféricas com catéter calibroso, tipo “Jelco”. Antes de iniciar a infusão de líquido, deve-se colher amostras de sangue para tipagem sanguínea, provas cruzadas e exames hematológicos e bioquímicos necessários. Quando há necessidade de acesso venoso para reposição volêmica e monitorização da PVC, a melhor opção é através da dissecção da veia basílica ou da veia safena interna.

A obtenção de vias de acesso venoso profundo por punção está contra-indicado.


Déficit Neurológico

O estado neurológico é rapidamente avaliado verificando o nível de consciência e o estado das pupilas. A avaliação do nível de consciência é realizada pelo tipo de resposta ao estímulo verbal e ao doloroso. Deve-se observar se as pupilas estão isocóricas e fotorreagentes.

Um exame neurológico mais apurado deve ser realizado à nível de atendimento secundário, através da Escala de Coma de Glasgow. A deterioração do estado neurológico pode indicar a presença de lesão intracraniana ou a diminuição da oxigenação do SNC.


Exposição

Deve-se retirar todas as vestimentas do paciente, o que permitirá e facilitará a avaliaçao global do mesmo.


Ressuscitação

As fases de ressuscitação e avaliação inicial são realizadas simultâneamente.

O objetivo desta etapa tem a finalidade de assegurar o metabolismo aeróbio das células , através da manutenção de uma perfusão adequada. A oxigenação e a reposição volêmica são os meios utilizados para atingir estas metas. Durante a ressuscitação, realizam-se reavaliações repetidas dos parâmetros vitais para averiguar a eficácia das medidas adotadas.


Avaliação secundária

A avaliação secundária não deve ser iniciada até que a avaliação primária tenha sido completada e a fase de ressuscitação tenha sido iniciada.

Nesta etapa do atendimento, realiza-se o exame minucioso de todos os segmentos do corpo. Deve-se recorrer às técnicas de propedêutica convencional, como medida da PA, Fc, Fr e PVC. À inspeção, palpação, percussão e ausculta são realizadas cuidadosamente, incluindo cabeça, face, pescoço, tórax, abdome e membros.

Cabeça-Couro cabeludo, ferimentos e deformidades.

Olhos-Diâmetro das pupilas, reflexo fotomotor, hemorragias conjuntivais, ferimentos ou corpos estranhos e acuidade visual.

Orelha-Presença de sangue ou líquor.

Exame neurológico-Escala de Coma de Glasgow para detectar alterações de consciência e acompanhar sua evolução.

Exame dos ossos da face e cavidade oral

Região cervical-Face anterior e posterior, cartilagem tireóide, traquéia, apófises espinhosas da coluna cervical.

Tórax- Região anterior e posterior, ferimentos , deformidades, respiração paradoxal, clavículas, arcos costais, enfisema subcutâneo. Auscutar as bulhas cardíacas e o MV.

Abdome- Escoriações, hematomas , equimoses (lesão intra-abdominal) , dor à palpação e RHA.

MMSS, MMII e ossos da bacia- Fraturas e lesão neuro-vascular.

Na avaliação secundária devem ser realizados os exames ginecológico e o toque retal, à procura de sangramento, espículas ósseas, flutuação da próstata e ferimentos da vagina ou reto. Utilizam-se as sondas nasogástrica e vesical quando não contra-indicadas.

A indicação de exames subsidiários, procedimentos diagnósticos e a necessidade da participação de especialistas são avaliadas nesta etapa.

Escala de Coma de Glasgow

a. Abertura ocular espontânea = 4

• ordem verbal = 3

• dor = 2

• nenhuma =1

 

b. Melhor resposta verbal orientado = 5

• confuso = 4

• palavras = 3

• sons = 2

• nenhuma = 1

 

c. Melhor resposta motora obedece a comando = 6

• localiza dor = 5

• flexão normal = 4

• flexão anormal = 3

• extensão à dor = 2

• nenhuma = 1


Tratamento definitivo

Nesta fase as lesões recebem o tratamento específico. Portanto, o hospital deve ser adequado para o tratamento das lesões que põem em risco a vida do paciente.


Bibliografia

In: Cirurgia de Emergência-Dario Birolini, Edivaldo Utyiama, Eliana Steinman


Referências Bibliográficas

1.In: Cirurgia de Emergência-Dario Birolini, Edivaldo Utyiama, Eliana Steinman

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Autores

Dra. Alessandra G. Watase
Dr. Cássio Murilo de Nakano
Revisão
Ac. Marco V. F. Gil


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