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Ferida Cirúrgica

última atualização: 13/08/00 

  

 

Curativos, Antobióticos e Retirada dos pontos

O curativo, um dos itens de extrema importância no seguimento do paciente, é feito para promover a cicatrização tecidual, previnir o aparecimento de infecção no ferimento e promover o conforto do paciente.

Ao sair do hospital, o paciente é orientado a voltar para trocar o curativo com freqüência que varia de acordo com o tipo de cirurgia, tipo de curativo e estado da lesão, o que é determinado pelo médico. O curativo também deve ser trocado caso esteja úmido; fora isso, não se deve desobedecer a freqüência pré-estabelecida. As feridas infectadas, com saída de secreções dependem geralmente de vários curativos diários.

Quando em repouso (imobilizadas) as feridas cicatrizam mais rapidamente. O tamponamento normalmente é realizado com gaze, que pode estar com desinfetante ou com antibiótico, se necessário.

A administração de antibióticos por via sistêmica com fins profiláticos ou curativos só é indicada nas feridas contaminadas ou infectadas.

Ao se fazer a troca do curativo deve-se avaliar bem o estado da ferida cirúrgica, já que qualquer alteração que apareça deve ser muito bem investigada, assim como a secreção que eventualmente possa sair desta ferida. Esta secreção pode ser normal ou, dependendo da ferida e do local onde ela se encontra, estar aumentada. Já no caso de inflamações, devemos também verificar se esta está quente ou possui ulcerações.

Quanto à retirada de pontos, esta se faz quando a cicatriz estiver na fase de tensão, o que normalmente ocorre entre o quinto e o sétimo dia, o que pode variar dependendo do tipo e tamanho da incisão, efeito estético desejado, estado geral do paciente, tipo de patologia e presença de complicações pós-operatórias gerais ou da ferida.


Complicações da Ferida

•  Infecção da ferida

A febre que aparece após o quarto dia de pós-operatório é comumente causada por infecção da ferida, devida a germes entéricos ou Estafilococos. Sua incidência é maioe em pacientes idosos com arterioesclerose e pacientes obesos, pois pode haver menor suprimento sanguíneo na área da ferida operatória, devendo estes receberm seguimento cuidadoso.

A localização da ferida pode ser importante fator pré-disponente à infecção. Locais como cabeça e pescoço, por exemplo, têm menor incidência já que o excelente suprimento sanguíneo da região leva à rápida cicatrização, enquanto locais com menor suprimento estão mais propensos a complicações.

A infecção normalmente é assinalada por elevações diárias da temperatura corpórea, taquicardia, calafrios, mal-estar e leucocitose. A ferida revela sensibilidade acentuada e vermelhidão variável, sendo discreta nas infecções entéricas. Porém, se o paciente estiver recebendo antibióticos, várias dessas características podem estar ausentes, apesar da infecção.

O diagnóstico depende da análise do procedimento cirúrgico, da presença de sinais clínicos de sepse e da identificação do germe. Faz-se coloração por Gram e culturas de material da ferida para se identificar o microorganismo específico responsável. O tratamento é feito com drenagem adequada e abertura ampla da ferida operatória, usando-se posteriormente soluções como a de Dakin ou de nitro de prata (0,5%) para controlar o crescimento bacteriano e promover a formação de tecido de granulação. Se houver invasão do corpo por bactérias da ferida, pode-se usar antibióticos sistêmicos após a detecção do microorganismo específico.

•  Tromboflebite ou Flebotrombose

É causada por trombose venosa, determinando alterações inflamatórias na parede da veia. O pós-operatório e o repouso ou imobilização prolongados são as situações clínicas mais importantes que predispõem à trombose venosa. Dessa forma, 90% dos casos de tromboflebite ocorre em veias profundas da perna.

A tromboflebite pode ocorrer em qualquer fase do pós-operatório. Seus sintomas incluem febre, sensibilidade e edema da extremidade comprometida. Quando a tromboflebite é localizada, secundária à injeções ou cateter, raramente produz febre. Assim que diagnosticada, inicia-se o tratamento adequado, incluindo anti-coagulantes, a fim de evitar-se complicações pulmonares.

•  Gangrena bacteriana sinérgica

A chamada gangrena bacteriana pós-operatória de Meleney é uma grave, porém rara, complicação da ferida. É causada pela atividade sinérgica de uma simbiose de Estreptococo específico microaerófilo não hemolítico, presente nos exsudatos purulentos pleurais e peritoneais e um Estafilococo não específico que contamina a ferida a partir da pele do paciente. A complicação surge normalmente na segunda semana de drenagem de uma fistula com supuração, mas também pode ser evidenciada mais tardiamente, quando a cicatrização já aparenta estado de constituição definida.

A zona de fistula e a pele em torno da ferida tornam-se edematosas, de coloração avermelhada e em seguida ulcera-se, adquirindo aspecto carbunculóide e evoluindo com aspecto de gangrena. O fundo da ferida apresenta granulações grosseiras, coberta por secreção purulenta e fétida. Há reação febril, mal estar e desconforto. O tratamento consiste em excisão da úlcera e elevadas doses de anti-microbiano.

•  Fascite necrosante

Também dita erisipela necrosante ou erisipela gangrenosa, é determinada por um Estreptococo do grupo hemolítico e caracteriza-se por necrose subcutânea e da fascia que abrange extensa área da ferida e evolui rapidamente. O tratamento consiste na asministração de antibióticos específicos e da excisão do tecido subscutâneo e fascia comprometidos.

•  Deiscência

É a rutura completa da cicatriz, normalmente ocorrendo no pós-operatório imediato, mas podendo acontecer entre o quarto e o sétimo dia do pós-operatório, quando, dependendo da cirurgia, o paciente já recebeu alta. O episódio agudo é geralmente precipitado pelo esforço, exigindo atendimento imediato.

•  Seroma

A presença de serosidade na ferida operatória pode ser origem plasmática ou linfática e, quando se acumula e se organiza, apresenta o aspecto de um seroma. Quando é volumoso, deveser drenado para aspiração. Se deixados e reabsorverem-se espontaneamente, podem dar origem a cicatriz fibrótica ou estimularem reação para corpo estranho. Nos casos em que adquirem o aspecto de um edema volumoso, deve-se fazer curativo compressivo.

•  Reação por corpo estranho

A presença de um corpo estranho na ferida determina a formação de tecido fibroso que o envolve e encapsula, sendo absorvido pelas células do sistema retículo endotelial ou então sendo eliminado para o exterior. Na maioria das vezes e exploração com estilete ou pinça é suficiente para mobilizar ou extrair o corpo estranho.

 

 

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