Busca
    >Trabalhos

>Matérias   

Livros   Home Page  •  Ausculta  •  Piadas  •  Enviar Trabalhos  •  Fale Conosco  •  Mapa  •  Quem Somos

 
Epidemiologia dos Vetores

última atualização: 20/09/00 

  

 

3. Epidemiologia dos vetores

Todos os transmissores de malária dos mamíferos são insetos da ordem dos dípteros, da família Culicidae e do gênero Anopheles. Este gênero compreende cerca de 400 espécies, das quais apenas reduzido número tem importância para a epidemiologia da malária, em cada região. No Brasil, cinco espécies são consideradas como vetores principais:

· Anopheles (Nyssorhynchus) darlingi – Root, 1926

· Anopheles (Nyssorhynchus) albitarsis– LynchArribalzaga, 1878

· Anopheles (Nyssorhynchus) aquasalis – Curry, 1932

· Anopheles (Kerteszia) cruzi – Dyar & Kanab, 1908

· Anopheles (Kerteszia) bellator – Dyar & Knab, 1908

(*) É importante ter sempre em mente que outras espécies de anofelinos podem apresentar importância local e/ou transitória, mesmo na absoluta ausência das acima apontadas.

Os anofelinos são pequenos dípteros, medindo em geral menos de um centímetro de comprimento ou de envergadura, corpo delgado e longas pernas que lhe valeram em algumas regiões o nome de “pernilongo”.

No Brasil, são conhecidos também por “carapanã”, “muriçoca”, “sovela”, “mosquito-prego” ou, simplesmente, mosquito, A maioria dos anofelinos tem hábitos crepusculares ou noturnos. Durante o dia, dirigem-se para lugares onde ficam ao abrigo da luz excessiva, do vento e dos inimigos naturais. Aí encontram também maior grau de umidade durante as horas quentes do dia.

O ritmo diário de atividade, portanto, relaciona-se com temperatura, umidade e luminosidade. A luz artificial, ã noite, também pode atrais os insetos, mas o apagar de luzes estimula o hematofagismo. O aumento de temperatura geralmente leva a um aumento na atividade, sendo que a temperatura ótima é de 30 graus. Já a umidade favorável é de 40-80%.

Nos abrigos situados próximo aos criadouros, o número de machos e fêmeas costuma ser mais ou menos o mesmo. Em geral, tais ambientes são constituídos por arbustos e lugares de vegetação densa, oca ou àrvores, espaços sob raízes e troncos caídos, em grutas ou buracos de animais. Outros são compostos por grandes lagos ou lagoas, remansos de rios e córregos, represas artifíciais, valas de irrigação, alagados, manguezais, pântanos e, até mesmo, plantas da família das bromeliáceas (bromélias, gravatá, caraguatá, ...).

Todas as espécies de anofelinos têm em comum o baixo teor de material orgânico presente nos criadouros, o que permite dizer que águas poluídas, especialmente em áreas urbanas, raramente poderão servir para a reprodução destes insetos. A dispersão de tais mosquitos pode ser passiva ou artificial: por exemplo, por meio de ventos e aviões, respectivamente.

Ao crepúsculo, movidas pela necessidade de uma refeição sanguínea, as fêmeas saem em busca de suas fontes alimentares: animais e homens. As espécies que procuram principal ou unicamente o sangue de animais (mamíferos, aves, ...) são qualificadas pela maioria dos especialistas como “zoófilas”, enquanto as que picam freqüente ou preferencialmente o homem são ditas antropófilas”. Certo grau de antropofilia é condição fundamental para que uma espécie de anofelinos seja boa vetora de malária humana.

Anofelinos que costumam penetrar nas habitações humanas participam mais ativamente da transmissão da malária do que as espécies que permanecem de preferência no exterior. Este traço de comportamento, qualificado como domesticidade ou endofilia da espécie, é tomado em consideração nos inquéritos epidemiológicos. Ele fornece um dos parâmetro para medir a eficiência dessa espécie como vetora da doença e ajuda a planejar a luta anti-anofélica pela aplicação de inseticidas no interior das casas.

A característica oposta à endofilia denomina-se exofilia. Em certas regiões a malária é transmitida por vetores no extra-domicílio, fato esse que requer outra orientação no planejamento do controle. Há mosquitos que penetram nas casas durante o crepúsculo vespertino e só se retiram ao amanhecer. Depois de picar, as fêmeas procuram repousar no interior das casas, nas oartes baixas das paredes, atrás dos móveis, quadros, roupas penduradas ou outros esconderijos. A duração do contato dos insetos com a superfície interna das habitações tem grande importância para o efeito dos inseticidas de insetos de ação residual aí aplicados. As espécies ou variedades que tem hábito abandonar as casas logo depois de se alimentarem, ou que ficam muito pouco tempo, subtraem-se mais facilmente à intoxicação pelos inseticidas, principalmente quando esses exercem alguma ação anti-repelente sobre os mosquitos.

As fêmeas das diversas espécies de anofelinos colocam seus ovos em coleções hídricas as mais distintas, na dependência do criadouro que se mostra mais adequado para a espécie a que pertencem. A fêmea fecundada coloca seus ovos em um desses criadouros. São ovos isolados, medindo cerca de 0.5 mm de comprimento e dotados de flutuadores nas laterais que permitem que permaneçam na superfície da água. Dos ovos surgirão as larvas, que se transformam em pupas, que por sua vez dão origem aos adultos. A duração desse desenvolvimento de ovo a adulto varia de 7 a 20 dias, na dependência da temperatura.

Nos invernos dos países frios, as fêmeas hibernam e procriam na estação favorável. As fêmeas são fecundadas uma só vez em momento próximo à sua saída do meio aquático (no final da evolução da pupa), mas podem permanecer colocando ovos férteis a cada 2 a 4 dias durante toda a sua vida, que é de cerca de 30 dias. Este tempo de vida pode variar muito conforme alguns fatores como temperatura e umidade do ar, principalmente. Por outro lado, o anofelino macho vive por um tempo bem menor que as fêmeas e, não raro, por uns poucos dias.

A sobrevivência para as diversas espécies pode chegar a 60-100 dias. O tempo de vida do mosquito é importante porque em algumas espécies vetoras da doença se a vida média for muito curta, não há tempo suficiente para que o ciclo esporogônico se complete.

De grande importância é lembrar que, ao nascer, as fêmeas de mosquitos são incapazes de transmitir qualquer doença. Isto somente ocorrerá se após alguns dias, ao alimentar-se do sangue de algum animal ou de um ser humano, estas fêmeas ingerirem também forma viáveis de parasitas, ou seja, gametócitos de plasmódios

 

Anopheles spFigura 25: Anopheles sp

 

Anopheles spFigura 19:Anopheles sp

 
Esquema do ciclo do mosquito - Clique na figura para amplia-la. Clique na figura

para amplia-la.

Figura 27: Esquema do ciclo do mosquito

       continuação

anterior

  índice Malária


Home Page  -  Livros  -  Matérias  -  Trabalhos Científicos  -  Ausculta Cardio-Pulmonar  -  Enviar Trabalhos  - Links
Agenda Médica
  -  Mapa do Site  -  Quem Somos  -  Fale Conosco  -  Enquetes - Testes Interativos - E-mail

EstudMed.com® 2001-2011 Todos os direitos reservados.