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Distribuição e História da Malária por Todo o Mundo

última atualização: 20/09/00 

  

 

4.6.Distribuição

4.6.1.Histórico

a) Breves antecedentes históricos

Em 1532, iniciou se a colonização de São Paulo.

Até meados do século XVIII ocorreram surtos epidêmicos em alguns locais do estado.

Com a economia cafeeira do século XIX, aumentaram os fluxos migratórios, aumentou o desmatamento, houve a construção de ferrovias, época acompanhada de um grande crescimento econômico. Tais fatos contribuíram para o aumento da endemia no estado.

No começo do século XX, Adolfo Lutz referiu a presença de casos de malária no litoral, nos vales dos rios Tietê, Paraná e Moji-Guaçu. Na década de 10, de 40% a 85% da população do interior do estado estavam contaminadas. Portanto, eram áreas com altas prevalências.

A complexidade da doença decorre de vários tipos diferentes de plasmódios, vetores, comportamentos variados em relação ao homem e às suas condições de vida. Dependendo desses componentes diferentes, a doença manifesta – se com diferentes padrões de ocorrência. Existem duas teorias: A americana e a européia. A primeira dá ênfase aos vetores e a segunda, às condições sócias – econômicas.

No ano de 1914, a moléstia passou a ser de notificação compulsória. Não havia programa de controle da malária em São Paulo. Isso foi verificado no ano de 1916. Nas três primeiras décadas do século XX, não aconteceu nenhum modelo de intervenção sobre a malária na população em geral.

Com os surgimentos das empresas, estas passam a ser responsáveis pelos seus trabalhadores (Colonos).

As medidas tomadas consistiam na redução do contato homem mosquito.

No começo do século, a doença acometia muito mais as pessoas do meio rural, já que a população brasileira era essencialmente pertencente a este meio. Em áreas endêmicas, as crianças eram mais afetadas que os adultos, pois com os acessos febris os indivíduos vão desenvolvendo a imunidade. Nas regiões de epidemia, a moléstia aparecia de acordo com as estações do ano, ou seja, nas épocas mais chuvosas do ano.

No plano social, a necessidade de se combater a malária não era interessante do ponto de vista econômico. Isso porque, apesar de a prevalência ser alta no estado, existiam muitos trabalhadores rurais e se, caso algum deles viesse a óbito, este logo seria substituído por outro. Só mais tarde, quando os trabalhadores realizariam obras de engenharia nas cidades é que o controle fez-se necessário, já que os adoentados comprometeriam as mesmas.

No final dos anos 20, a malária era conhecida em todos os continentes e suas etapas de transmissão eram sabidas. Existiam um conjunto de medidas de controle com eficácia variável. A padronização era tida como impossível, já que a eficiência dos métodos de controle dependia das condições locais. Nesta época, em São Paulo, foram adotadas medidas de ação coletiva sobre o meio ambiente, como mosquiteiros, por exemplo.


b)A malária como necessidade de saúde

Para o trabalhador rural, estar com malária é apresentar uma gama de manifestações clínicas: mal-estar, dores no corpo, perda de apetite, irritabilidade, sono e acessos febris. Em cada acesso, o doente apresenta febre de 40°C a 41°C por três horas, com sudorese intensa nesse período, restabelecendo-se depois a normalidade. Depois da fase aguda, pode haver recaído se houver uma queda da imunidade do paciente ou se este sofrer uma reinfecção por uma outra espécie de plasmódio ou pela mesma espécie que lhe causara a doença mas de outra localidade.

Na década de 30, havia 200 casos a cada 100.000 habitantes.

Tabela 3.Incidência de Malária(por 100.000 hab.) no estado de São Paulo,1930-1950
Ano Taxa Ano Taxa
1933 52.05 1941 285.4
1934 79.44 1942 268.13
1935 476.58 1943 235.80
1936 143.44 1944 690.44
1937 212.40 1945 318.29
1938 224.17 1946 282.00
1939 336.70 1947 87.70
1940 713.58 1948 85.80
1941 2422.58 1949 261.00

Fonte:População IBGE.

Casos:Inspetoria Profilaxia Impaludismo 1933-38, Serviço Profilaxia Malária 1939-50

A doença praticamente não ocorria ou apresentava incidências baixas nas zonas de colonização mais antigas, como na capital e no Vale do Paraíba. Os maiores valores do estado encontravam-se no litoral.

Tabela 4.Incidência de Malária (por 100.000 hab.) nas regiões do estado de São Paulo, em 1946
Região / Município Taxa
Piracicaba 142.99
Sorocaba 274.27
Catanduva 324.87
Botucatu 566.92
Bauru 891.12
Litoral  
Santos 240.00
Xiririca ( Eldorado ) 730.00
Iguape 5600.00
Cubatão 7160.00
Juquiá 10.121.00
Guarujá 10600.00
Cananéia 12300.00

Fonte:Fonseca,J.A.B. Relatórios de atividades SPM,1946

As taxas mostravam-se mais elevadas em regiões novas de colonização pois elas atraíam fluxos migratórios.

Na década de 30%, 60%¨dos municípios de São Paulo eram malarígenos e 20%também possuíam transmissão urbana. Portanto, o estado aumentou o número de postos de saúde para tratar a parasitose. O grande problema consistia no fato de haver postos de saúde em maior quantidade nas zonas de colonização antiga (com menor incidência), pois nessas regiões os interesses econômicos encontravam-se mais consolidados.Com isso, as outras áreas, que apresentavam maior número de casos, ficaram prejudicadas, oferecendo tratamento deficiente para seus habitantes, ou os deixando sem assistência médica. Ainda neste período, apesar da existência dos postos de saúde, eram as empresas responsáveis pelo tratamento de seus trabalhadores.

Desta maneira, nota-se que o indivíduo não era visto como parte do todo. Tudo fora realizado de acordo com os interesses da sociedade. O Estado só passou a se preocupar com o social no momento em que isso tornou-se interessante do ponto de vista econômico. Por isso é que ele tomou medidas coletivas principalmente nas áreas de colonização antiga. Talvez se o Estado estivesse preocupado com o indivíduo em si, ele teria criado os postos de saúde em regiões mais afetadas pela doença.

 

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