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Anticoncepcionais na Adolescência - Gravidez na adolescência

 

  


2.3 - GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA

Segundo o IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), há 27 milhões de adolescentes no país, que representam 23% do total da população. Das crianças nascidas no Brasil, 20% são atualmente filhas de moças entre 11 e 19 anos.

Em Campos dos Goytacazes, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, uma média de 400 jovens menores de 19 anos ficam grávidas anualmente no município.

Uma em três mulheres de 19 anos já são mães ou estão grávidas do 1º filho. Uma em dez mulheres de 15 a 19 anos já tinham 2 filhos( 49,1% desses filhos foram indesejados). Com pelo menos 1 filho, há cerca de 20% das adolescentes residentes na zona rural e 13% das adolescentes residentes na zona urbana. Cerca de 54% das adolescentes sem escolaridade já haviam ficado grávidas na última década. Observamos triplicação do número de mães adolescentes(SUPLICY,1994).


2.3.2 - Causas

Deficiência de serviços de orientação sobre a sexualidade e planejamento familiar específico para a adolescente. A orientação sexual na escola dificilmente faz parte de um programa didático de educação para a saúde.

Necessidade de auto afirmação e tendência a assumir riscos, negando a possibilidade de gravidez.

Falha de diálogo com os pais sobre a sexualidade desde quando criança. Pois a educação sexual começa no lar desde quando surgem as primeiras perguntas.

Quase nada do que vêem ou ouvem na TV sobre sexo lhes informam acerca de anticoncepção ou da importância em evitar gravidez indesejada. Ouvem mais acerca de abortos e estupros do que acerca da contracepção. Há bombardeio constante de sexualidade através da TV, rádio, canções, publicações, etc. O sexo tem sido utilizado para vender qualquer coisa em comerciais altamente sugestivos, mostrando uma única forma de ser “mulher”.

Imaturidade do processo cognitivo do adolescente e, por conseqüência, inabilidade para avaliação dos efeitos a longo prazo das decisões atuais, ocasionando atitudes negativas sobre o uso de métodos anticoncepcionais, que são vistos como fator de interferência no prazer sexual que transforma o ato sexual em algo não-natural, não-compatível com a freqüência da relação sexual e ainda idéias que a contracepção é responsabilidade do parceiro.

Menor difusão de informação sobre métodos contraceptivos na zona rural.

Agravado pelo baixo nível sócio-econômico cultural de nossas populações.

Analfabetismo.

Ausência de programas de apoio psicológico.

Influência da atitude dos pais mostra que a maioria das adolescentes grávidas são filhas de mães que também tiveram sua 1ª gravidez na adolescência(Vanda Terezinha Vasconcelos).


2.3.3 - Repercussão social

A sociedade ignora a sexualidade dos jovens e mantém uma educação sexual inadequada que leva à repercussões negativas como gravidez indesejada,abortos provocados e aumento da incidência de DSTs.

2.3.3.1 - Repercussão social-Aborto

1 milhão de abortos são feitos clandestinamente por ano no Brasil.

300.000 mulheres são internadas com complicações decorrentes de abortos clandestinos.

10.000 morrem por causa de abortos mal feitos.

205 abortos legais foram feitos até hoje no Brasil(VEJA,08/07/98) por hospitais públicos no caso de estupro ou risco de vida para a mulher.

A morbidade materna é 60% mais alta em mulheres abaixo dos 15 anos e 13% entre 15 e 19 anos. Provavelmente este fato se dá devido à falta de assistência pré-natal(muitas escondem a gravidez) além de fatores nutricionais.(Resende,1990)

Risco psicossocial: impossibilidade de completar sua educação e dificuldade para conseguir trabalho; separação e desvinculação de seu grupo social, matrimônio forçado,etc.

Risco biológico para o binômio mãe-filho.


2.3.4 - Sugestões

Necessidade: Maior abordagem deste tema na escola. Sugere-se criação de programas de educação para a vida familiar incluindo educação sexual, anticoncepção e responsabilidade como pais nos currículos do ensino do 1º grau.

Profissionais de saúde ofereçam, não somente conselhos a respeito do desenvolvimento da sexualidade, mas também orientação concreta quanto ao uso de diversos métodos contraceptivos conhecidos.


2.4 - EDUCAÇÃO SEXUAL

2.4.1-Meios de acesso

Os adolescentes estão adquirindo informações sobre os métodos anticoncepcionais através dos meios de comunicação (jornais, revistas, televisão,...), escola e profissionais de saúde.

As observações têm mostrado que em países desenvolvidos, onde se implantaram programas de educação sexual houve um aumento de informação aos adolescentes, mas pouco ou nenhum efeito na determinação do início da vida sexual ativa. O uso de contraceptivos ou a incidência de gestação são temas discutidos em relação à educação sexual, principalmente quando envolvem indivíduos de diferentes condições sócio-econômicas e culturais, o que dificulta as interpretações dos achados. O argumento que alguns médicos usam, de que a orientação contraceptiva estimula a atividade sexual, não encontra amparo na prática. E a relutância em não orientar um adolescente na contracepção não desestimula a liberdade sexual. Outros argumentos evocados a não-prescrição de contraceptivos dizem respeito ao aspecto de ordem legal, moral e ética, dando ênfase às dificuldades e efeitos colaterais dos métodos para cada faixa etária.


2.4.2-Importância da escola

A oposição que se faz, a que se tenha educação sexual nas escolas, é baseada na crença de que isso promoverá promiscuidade. Os dados, entretanto, não sustentam tal idéia.Avaliou-se também os efeitos de um programa escolar baseado na prevenção de gravidez entre as adolescentes. O programa combinou educação sexual, aconselhamento e aula sobre anticoncepcional; enfatizou o desenvolvimento da responsabilidade pessoal, diálogo com os pais e determinação. Os resultados foram encorajadores, pois a taxa de gravidez diminuíram significativamente quando as escolas foram comparadas com um controle, havendo, ainda, um retardo no início da primeira relação sexual(ZABIN,1986).


2.4.3-Orientação Sexual do Estatuto Fundamental do Ensino

Ao tratar do tema Orientação Sexual , busca-se considerar a sexualidade como algo inerente à vida e à saúde , que se expressa no ser humano , do nascimento até a morte . Relaciona-se com o direito ao prazer e ao exercício da sexualidade com responsabilidade . Engloba as relações de gênero o respeito a si mesmo e ao outro e a diversidade de crenças , valores e expressões culturais numa sociedade democrática e plurista . Inclui a importância da prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e da gravidez indesejáveis indesejada na adolescência. Pretende contribuir para a superação de tabus e preconceitos ainda arraiga dos no contexto sociocultural brasileiro.

Sendo assim , a discussão sobre a inclusão sobre a inclusão da temática da sexualidade no currículo das escolas de ensino fundamental e médio vem se intensificando deste a década de 70, provavelmente função das mudanças comportamentais dos jovens dos anos 60 , dos movimentos feministas e de grupos que pregavam o controle da natalidade . Com diferenças em enfoques e ênfases. A retomada espontâneo dessa questão deu-se juntamente com os movimentos sociais que se propunham com a abertura política , repensar o papel da escola e dos conteúdos por ela trabalhados . Mesmo assim não foram muitas as iniciativas tanto na rede pública como na rede privada.

A partir de meados dos anos 80, a demanda por trabalhos na área da sexualidade nas escolas aumentou em virtudes da preocupação dos educadores com o grande crescimento da incidência de gravidez indesejadas entre adolescência e com riscos das DSTs entre os jovens. Antes acreditava-se que as famílias apresentavam resistência a abordagem dessas questões no âmbito escolar , mas atualmente sabe-se que os pais reivindicam a orientação sexual nas escolas , pois reconhecem não só a sua importância para crianças e jovem como também a dificuldade de falar abertamente sobre o assunto em casa.Uma pesquisa, do Instituto Data Folha,foi realizada em dez capitais brasileiras e divulgada em julho de 1993, constatou que 86% das pessoas ouvidas eram favoráveis à inclusão de Orientação Sexual nos Currículos escolares.

As manifestações da sexualidades afloram em todas as faixas etárias .Ignorar ocultar ,ou reprimir são respostas habituas dadas por profissionais das escolas , baseados na idéia de que a sexualidade é assunto para ser lido apenas pela família.

Na prática, toda a família realiza a educação sexual de suas crianças e jovens , mesmos aquelas que nunca falam abertamente sobre isto.O comportamento dos pais entre si , na relação com os filhos no tipo de “cuidados” recomendados,nas expressões, gestos e proibições que estabelecem, são carregados dos valores associados à sexualidade que a criança e o adolescente aprendem.

A mídia nas suas múltiplas manifestações, e com muita força, assume relevante papel, ajudando a moldar as visões e comportamentos .Ela veicula imagens eróticas que , estimulam crianças e adolescentes incrementando a ansiedade e alimentando fantasias sexuais.Também informa , veicula campanhas educativas , que nem sempre são dirigidas e adequadas a esse publico. Muitas vezes moraliza e reforça preconceitos. Ao ser elaborada por crianças e adolescentes, essa mescla de mensagens podem acabar produzindo conceitos e explicações tantos errôneos quanto fantasiosos.

A sexualidade no espaço escolar não se inscreve apenas em portas dos banheiros, muros e paredes, ela (a escola ) intervem de varias de formas , embora nem sempre tenha consciência disso e nem sempre acolha as questões dos adolescentes . Sabe-se que as curiosidades a respeito da sexualidade são questões muito significativas para a subjetividade, na medida em que se relacionam com o conhecimento da origem de cada um e com o desejo de saber . A satisfação dessas curiosidades contribui para que o desejo de saber seja impulsionado ao longo da vida enquanto a não-satisfação gera ansiedade , tensão e eventualmente , inibição da capacidade investigativa .A oferta por parte da escola de um espaço em que os adolescentes possam esclarecer suas duvidas e continuar formulando novas questões, contribui para o alivio das ansiedades que muitas vezes interferem no aprendizado dos conteúdos escolares .

Com a ativação hormonal trazida pela puberdade a sexualidade assume o primeiro plano na vida e no comportamento dos adolescentes .Toma o caráter de urgência é o centro de todas as atenções , na escola e flora dela . Se a escola deseja ter uma visão integral das experiências vividas pelos alunos buscando desenvolver o prazer pelo conhecimento , é necessário reconhecer que desempenha e ao bem estar e esta e que englobe as diversas dimensões do ser humano.

O trabalho sistemático deseja ter uma visão integrada das experiências vividas pelos alunos , buscando desenvolver o prazer pelo conhecimento , é necessário reconhecer que desempenha um papel importante na educação para uma sexualidade ligada à vida , à saúde , ao prazer e ao bem - estar e que englobe as diversas dimensões do ser humano .

O trabalho sistemático de Orientação Sexual dento da escola articula-se , também, com a promoção da saúde das crianças , dos adolescentes e dos jovens .A existências desse trabalho possibilita a realização de ações preventivas das doenças sexualmente transmissíveis de forma mais eficaz .Diversos estudos já demonstrados resultados obtidos por trabalhos esporádicas sobre esse assunto . Inúmeras pesquisas apontam também que apenas a informação não é suficiente para favorecer a adoção de comportamentos preventivos.

Reconhecem-se , portanto , como intervenções mais eficazes na prevenção das DSTs , a ações educativas continuadas , que oferecem possibilidades de elaboração das informações recebidas e de discussão dos obstáculos emocionais e culturais que impedem a adoção de conduta preventiva.

Devido ao tempo de permanência dos jovens na escola constitui-se em local privilegiado para a abordagem da prevenção das DSTs , não podendo se omitir diante da relevância dessas questões .

O trabalho de Orientação Sexual também contribui para a prevenção de problemas graves como a gravidez indesejada.

Com relação à gravidez indesejada, o debate sobre a contracepção, o conhecimento sobre os métodos anticoncepcionais, sua disponibilidade e a reflexão sobre a própria sexualidade ampliam a percepção sobre os cuidados necessários quando se quer evitá-la.

Com a inclusão da Orientação Sexual nas escolas, a discussão de questões polêmicas e delicadas, como masturbação, iniciação sexual, o “ficar” e o namoro, homossexualismo, aborto, disfunções sexuais, prostituição e pornografia, dentro de uma perspectiva democrática e pluralista, em muito contribui para o bem-estar das crianças, dos adolescentes e dos jovens na vivência de sua sexualidade atual


2.4.3.1 - Objetivos Gerais.

A finalidade do trabalho de Orientação Sexual é contribuir para que os alunos possam desenvolver e exercer sua sexualidade com prazer e responsabilidade. Esse tema vincula-se ao exercício da cidadania na medida em que propõe o desenvolvimento do respeito a si e do outro e contribui para garantir direitos básicos a todos, como a saúde, a informação e o conhecimento, elementos fundamentais para a formação de cidadãos responsáveis e conscientes de suas capacidades.

Assim, a escola deve se organizar para que os alunos, ao fim do ensino fundamental, sejam capazes de:

Respeitar a diversidade de valores, crenças e comportamentos relativos a sexualidade, reconhecendo e respeitando as diferentes formas de atração sexual e seu direito à expressão, garantia à dignidade do ser humano.

Compreender a busca do prazer como um direito e uma dimensão da sexualidade.

Conhecer seu corpo, valorizar e cuidar de sua saúde como condição necessária para usufruir o prazer sexual.

Identificar e repensar tabus e preconceitos referentes à sexualidade, evitando comportamentos discriminatórios e intolerantes e analisando criticamente os estereótipos.

Reconhecer como construções culturais as características socialmente atribuídas ao masculino e ao feminino posicionando-se contra a discriminação a eles associadas.

Identificar e expressar seus sentimentos e desejos, respeitando os sentimentos e os desejos do outro.

Reconhecer o consentimento mútuo como necessário para usufruir prazer numa relação a dois.

Proteger-se de relacionamentos sexuais coercitivos ou exploradores.

Agir de modo solidário em relação aos portadores do HIV de modo propositivo em ações públicas voltadas para prevenção e tratamento das DSTs.

Conhecer e adotar práticas de sexo protegido, desde o início do relacionamento sexual, evitando contrair ou transmitir DSTs.

Consciência crítica e tomar decisões responsáveis a respeito de sua sexualidade.


2.4.4-O papel dos profissionais de saúde

O motivo da primeira consulta ao ginecologista geralmente está ligado ao exercício da sexualidade, ou seja, anticoncepção, suspeita de gravidez ou tratamento de doenças relacionadas aos órgãos genitais. Por serem temas que normalmente podem ser respondidos através de educação sexual,foram concordes em que há necessidade de um esforço contínuo, multidisciplinar de educadores médicos, psicólogos e assistentes pessoais que objetivem dar aos adolescentes os conhecimentos necessários sobre a biologia da reprodução, a distinção entre sexualidade e reprodução, seus direitos e responsabilidades concernentes ao corpo, ao sexo e ao prazer. Educar é tarefa da família. Cabe aos profissionais de saúde, em todas as áreas, levar aos jovens orientação sobre saúde, sexualidade, concepção e gravidez. A educação sexual pertinente e objetiva é ainda a melhor ajuda ao adolescente que procura orientação e, na maioria dos casos, já mantém uma vida sexual ativa. Para indicar um método anticonceptivo, é necessário analisar cada caso individualmente, tendo o cuidado de nunca generalizar. A idade da paciente, a freqüência com que ela tem relações sexuais, seu desenvolvimento psicofísico e a motivação para o uso de um método anticoncepcional são fatores importantes no determinismo da escolha anticoncepcional. Do que foi abordado, pode-se ressaltar que os cuidados em relação à adolescente devem ser abrangentes, envolvendo aspectos sociais, psicológicos e clínicos, requerendo para isso a participação de uma equipe multiprofissional alertada para esse fim.(Docring,1989)


2.4.5 - Finalidade

Pensa-se que seja ético uma reflexão conjunta da escola com a família e com a comunidade, em geral, no sentido de assegurar a inclusão de projetos de educação em saúde sexual no projeto pedagógico das escolas, para que sejam diminuídos os atritos entre as pessoas, decorrentes das tensões sexuais e o risco à convivência saudável, tornando as pessoas harmoniosas consigo mesmas e com os outros, o que levaria ao aperfeiçoamento da sociedade em que vive, além de um esclarecimento das questões sexuais aos adolescentes.

 

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