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Tuberculose - Casos Clínicos

última atualização: 25/06/01 

  

 

" Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.

A vida inteira que podia ter sido e não foi.

Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:

- Diga trinta e três.

- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...

- Respire.

- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.

- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?

- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino."

Manuel Bandeira


 

Casos Clínicos

Caso 1

ARS, 51 anos, natural de PE, em São Paulo há 13 anos.

Há 5 meses iniciou quadro de dispnéia aos grandes esforços que progrediu rapidamente para mínimos esforços. Refere ter sido internado em vários hospitais por descompensação de ICC, sendo tratado com diuréticos, aminofilina e digitálicos.

EF: PA 105x80 ( sem pulso paradoxal ) FC 120 FR 36

estase jugular +++ bilateral

coração: íctus não palpável. Bulhas hipofonéticas sem sopros, sem presença de B3.

pulmões: propedêutica de derrame pleural bilateralmente, com poucos EC em bases e raros sibilos.

abdômen: ascite tensa, com edema de parede abdominal e difícil caracterização de visceromegalias.

Apresentava ainda intenso edema de MMII, escroto e pênis.

ECG: complexos QRS de baixa voltagem.

R-X de tórax: ­ área cardíaca +++. Derrame pleural bilateral.

ECO: derrame pericárdico de moderada quantidade.

Exames laboratoriais:

HMG Hb 12,4 HT 42 % leucócitos: 5.100 (8-78-1-7-6)

Uréia 42 creatinina 1,5 Na 134 K 3,3

PTF PT 6,2 albumina 2,8 globulinas 3,4

sorologia para chagas: Hemoaglutinação neg.

Imunofluorescência neg.

BAAR escarro : ( 4 ) neg.

Evolutivamente apresentou picos febris de 38°C inicialmente atribuídos a pneumonia, tratada sem resposta com ampicilina por 3 dias, quando foi suspeitada de embolia e infarto de pulmão. Um mapeamento pulmonar ventilação - perfusão mostrou área não perfundida e não ventilada em base direita.

Após resultado do ECO foi indicada biópsia de pericárdio, que mostrou presença de granuloma com necrose caseosa e BAAR +. Iniciado esquema tríplice após o qual o paciente evoluiu afebril no 3º dia, mas desenvolveu hiperuricemia e ICC de difícil controle.

1. Qual o esquema atual do Ministério da Saúde para tratamento de TB pulmonar e extra pulmonar?

2. Quais os efeitos colaterais das seguintes drogas e a dose usualmente empregada?

· Hidrazida. Você interromperia o tratamento se o paciente apresentasse elevação de TGO/TGP?

· Rifampicina. Qual a complicação possível do uso de rifampicina em paciente tomando anticoagulante e anticoncepcional?

· Pirazinamida.

· Etambutol.

3. Qual a principal razão para o aparecimento de micobactérias resistentes à drogas do esquema tríplice nos dias atuais?

4. Quais as situações em que o uso de corticosteróide associado ao esquema tríplice está indicado?

5. Por que o paciente piorou com relação à ICC após a introdução de esquema tríplice? Qual o tratamento adequado nesta situação?


Caso 2

MDO, 32 a, branca, procedência anterior MG, há 6 meses em SP, PD

Há 4 anos começou a apresentar febre, rápido aparecimento de gânglios cervicais e axilares e emagrecimento de 7 Kg em 2 meses. Feito diagnóstico na ocasião de Linfoma de Hodgkin e realizada esplenectomia para estadiamento, não havendo na época acometimento infradiafragmático. Recebeu QT por 1 ano e meio e fez 2 sessões de RT, não completando o tratamento. Evoluiu bem durante 2 anos, até que há 1 mês notou o reaparecimento dos gânglios cervicais e axilares. A biópsia de gânglio axilar revelou Linfoma de Hodgkin forma esclerose nodular e R-X de tórax com infiltrado micronodular difuso. Feita a hipótese de tuberculose ou micose sistêmica + Linfoma de Hodgkin. BK escarro veio positivo. Tratada inicialmente com esquema tríplice clássico por 10 dias quando iniciou concomitante a QT - MOOP ( meticorten, oncovin, oncocloramin, natulamar ). PPD: 0 mm

1. Neoplasias são importantes diagnósticos diferenciais de tuberculose, independente da localização. Discuta a associação entre tuberculose e neoplasia simultaneamente.

2. Qual o principal mecanismo de defesa contra o bacilo de tuberculose e de que maneira um fator imunossupressor pode afetar este balanço?

3. O que é PPD e qual a diferença em relação à Reação de Mantoux? Cite alguns fatores que possam interferir na leitura da Reação de Mantoux.

4. Quais as diferenças entre M. tuberculosis e as micobactérias atípicas em relação à:

· maneira de transmissão

· positividade do PPD

· susceptibilidade às drogas antituberculose

· quadro clínico


Caso3

PB, 23 anos, feminina, refere tosse e febre há 1 mês. Procurou Centro de Saúde onde foi tratada com antibiótico uma semana sem melhora do quadro. Hoje veio ao PS por piora. Informa estar amamentando filho de 3 meses de idade. BAAR escarro: +++

1. Qual seria sua conduta em relação ao filho da paciente visando quimioprofilaxia? Qual a droga utilizada e por quanto tempo?

2. Quais as utilidades e limitações da pesquisa de BAAR no suco gástrico?

3. Qual o tempo mínimo e máximo de crescimento do Mycobacterium tuberculosis em cultura e qual a utilidade da mesma?

4. Qual o tempo necessário para que esta paciente não fique mais infectante? Qual a relação entre infectividade e BAAR + no escarro?

5. Você julga necessária a internação desta paciente e mantê-la em isolamento respiratório até que o BAAR no escarro fique negativo?

6. Que parâmetros são utilizados para avaliar a resposta ao tratamento? Em quanto tempo a febre desaparece?


Caso 4 :

MVM, 14 anos, feminina, refere há 18 dias sonolência, cefaléia, febre baixa e anorexia. Hoje apresentou quadro de desmaio com liberação esfincteriana, sendo trazida ao PS, onde foram constatados ao exame neurológico rigidez de nuca e paralisia do IV par craniano esquerdo.

1. Qual seria sua conduta diagnóstica ?

2. Qual seria o resultado esperado do líquor em caso de meningite tuberculosa?

3. O que é BCG? Qual a sua validade na prevenção da doença tuberculose?

4. O que é efeito Booster?

5. Qual a importância da pesquisa de ADA no líquido pleural de uma paciente com suspeita de TB?

 

 

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