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Tromboembolismo Pulmonar - Casos Clínicos

última atualização: 25/06/01 

  

 

Caso 1 - E.R.A., fem, bca, prendas domésticas, natural e procedente de São Paulo.

QD: Dor em facada em HTD e dispnéia intensa há 1 hora.

HPMA: Há 10 dias internada em clínica obstétrica com gravidez de termo (IIG), cansaço ao deambular, edema e dor em MMII. Há 5 dias foi submetida a cesárea por anóxia fetal. No pós operatório a paciente apresentou febre (38°C) e sinais de tromboflebite em MIE (edema, rubor, calor e dor à palpação da panturrilha), razão pela qual foi iniciada terapêutica com heparina SC 5.000 U 8/8 hs, Wycillin â 1 amp IM 12/12 hs, repouso com MIE elevado e compressas quentes. Há 1 hora a paciente apresentou súbita falta de ar, agitação psicomotora, dor em facada em HTD que piorava com a inspiração e palpitações que foram se acentuando rapidamente culminando com desmaio. Foi então removida para a UTI. AP: nega antecedentes cardio-respiratórios.

EF: REG, ansiosa, dispnéica +++, cianose ++, extremidades sudoreicas e frias, pulso filiforme. PA 70 x 50 mm Hg P=FC= 136 bpm FR 34 rpm PVC +8 T 36,8 ° C

cabeça e pescoço: sem estase jugular; pulmões: MV diminuído em HTD; coração: BR com B2 hiperfonética e B3 presente, taquicárdica, S/S. Membros: edema ++ de MMII, principalmente em MIE, com rubor, aumento de temperatura e dor à palpação da panturrilha com sinal de Homans positivo. Pulsos finos e de difícil palpação.

Exames subsidiários: HMG: Hb 12 g% leuc 13.500 (2-15-45-0-0-30-8) plaq: 230.000

gasometria arterial: pH 7,30 pCO2 30 pO2 51 bic 18,5 satO2 80%

A paciente foi submetida à hemodinâmica à beira de leito cujos resultados são:

S D M nl

AD 14 0 a 6

VD 40 15 20

AP 40 22 28 15

PCP 19 8 a 12

IC 1,6 2,8 a 4,3 Índice cardíaco: DC

SC

Evolução: Feito diagnóstico de TEP maciço com choque cardiogênico, a paciente foi tratada com dopamina, heparina em infusão contínua, O2, circulação assistida com BIA e finalmente foi submetida a embolectomia pulmonar com circulação extra-corpórea. No pós operatório continuou com heparina, substituída após 10 dias por anticoagulante oral. A paciente teve alta hospitalar após 20 dias.


Caso 2: GRS, 50 anos, masc, pardo, lavrador, procedente de Ribeirão Preto - SP

QD: dispnéia, escarro hemoptóico e tosse há 5 dias.

HPMA: há 1 ano o paciente vem apresentando cansaço e dispnéia a grandes esforços (correr, trabalhar com enxada e empurrar carroça) . Há 6 meses a dispnéia acentuou-se, aparecendo a médios e pequenos esforços. Passou a dormir com 3 travesseiros e ter tosse seca noturna. Há 4 meses notou inchaço em pés e depois pernas, até a altura do joelho, frio, mole e depressível. Refere diminuição do volume urinário e necessidade de levantar-se várias vezes à noite para urinar. Há 1 mês notou aumento de volume abdominal. Como não melhorasse da falta de ar e do inchaço, tendo apresentado tosse com escarro hemoptóico há 5 dias, procurou o PS do HMU. AP: Nascido em Ribeirão Preto, zona rural, morou em casa de pau a pique. Conhece o “barbeiro” mas não sabe se foi picado. Teve pneumonia aos 15 anos. Fuma cigarro de palha. Bebe meia garrafa de pinga por dia. AF: pai e irmão tiveram morte súbita, aos 27 e 45 anos respectivamente. Nega HAS ou DM na família.

EF: REG, descorado+, dispnéico, icterícia conjuntival discreta, acianótico.

PA 100 x 80 mm Hg P= 78 bpm arrítmico afebril FR= 20 rpm

cabeça e pescoço: estase jugular ++ ; pulmões: FTV diminuído, submacicez e MV diminuído em base de HTD, estertores em bases. Coração: ictus cordis no 6º EICE, 4 cm para fora da LHC, impulsivo, cobrindo duas polpas digitais. B1 hipofonética em FM. B2 desdobrada, estreita , com P2>A2. B3 audível em FM. Sopro sistólico rude, +, em ejeção, no 2º e 3º EICE junto à borda esternal. Freqüentes extrassístoles.

abdômen: globoso, fígado palpável a 6 cm da RCD, mole, doloroso; baço não palpável nem percutível. Ascite +++, edema de parede abdominal ++. Genitais: edema escrotal +++. Membros: edema +++ até a raiz das coxas e dor à palpação das panturrilhas.

Exames subsidiários: HMG: Hb 10,4 g% leuc 14.000 (10-60-1-0-25-4) plaq 200.000

Na 129 K 4,1 U 87 creatinina 1,7

gasometria arterial: pH 7,46 pCO2 32 pO2 57 bic 22,4 Sat O2 90%

Evolução: o paciente foi tratado com heparina EV contínua. Evoluiu com melhora da dispnéia e da tosse. Recebeu também digitálicos, diurético e inibidor da enzima de conversão, com diminuição da ascite e dos edemas. A heparina EV foi mantida por 10 dias, seguindo-se por fenindiona por VO. O paciente recebeu alta após 30 dias, com melhora das condições clínicas.


 

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