Caso 1 - E.R.A., fem, bca, prendas domésticas, natural e procedente
de São Paulo.
QD: Dor em facada em HTD e dispnéia intensa há 1 hora.
HPMA: Há 10 dias internada em clínica obstétrica com gravidez de termo
(IIG), cansaço ao deambular, edema e dor em MMII. Há 5 dias foi submetida a
cesárea por anóxia fetal. No pós operatório a paciente apresentou febre (38°C)
e sinais de tromboflebite em MIE (edema, rubor, calor e dor à palpação da
panturrilha), razão pela qual foi iniciada terapêutica com heparina SC 5.000 U
8/8 hs, Wycillin â 1 amp IM 12/12 hs, repouso com MIE elevado e compressas
quentes. Há 1 hora a paciente apresentou súbita falta de ar, agitação
psicomotora, dor em facada em HTD que piorava com a inspiração e palpitações
que foram se acentuando rapidamente culminando com desmaio. Foi então removida
para a UTI. AP: nega antecedentes cardio-respiratórios.
EF: REG, ansiosa, dispnéica +++, cianose ++, extremidades sudoreicas e
frias, pulso filiforme. PA 70 x 50 mm Hg P=FC= 136 bpm FR 34 rpm PVC +8 T 36,8
° C
cabeça e pescoço: sem estase jugular; pulmões: MV diminuído em HTD; coração:
BR com B2 hiperfonética e B3 presente, taquicárdica, S/S. Membros: edema ++ de
MMII, principalmente em MIE, com rubor, aumento de temperatura e dor à palpação
da panturrilha com sinal de Homans positivo. Pulsos finos e de difícil palpação.
Exames subsidiários: HMG: Hb 12 g% leuc 13.500 (2-15-45-0-0-30-8) plaq:
230.000
gasometria arterial: pH 7,30 pCO2 30 pO2 51 bic 18,5 satO2 80%
A paciente foi submetida à hemodinâmica à beira de leito cujos resultados
são:
S D M nl
AD 14 0 a 6
VD 40 15 20
AP 40 22 28 15
PCP 19 8 a 12
IC 1,6 2,8 a 4,3 Índice cardíaco: DC
SC
Evolução: Feito diagnóstico de TEP maciço com choque cardiogênico, a
paciente foi tratada com dopamina, heparina em infusão contínua, O2, circulação
assistida com BIA e finalmente foi submetida a embolectomia pulmonar com circulação
extra-corpórea. No pós operatório continuou com heparina, substituída após
10 dias por anticoagulante oral. A paciente teve alta hospitalar após 20 dias.
Caso 2: GRS, 50 anos, masc, pardo, lavrador, procedente de Ribeirão
Preto - SP
QD: dispnéia, escarro hemoptóico e tosse há 5 dias.
HPMA: há 1 ano o paciente vem apresentando cansaço e dispnéia a grandes
esforços (correr, trabalhar com enxada e empurrar carroça) . Há 6 meses a
dispnéia acentuou-se, aparecendo a médios e pequenos esforços. Passou a
dormir com 3 travesseiros e ter tosse seca noturna. Há 4 meses notou inchaço
em pés e depois pernas, até a altura do joelho, frio, mole e depressível.
Refere diminuição do volume urinário e necessidade de levantar-se várias
vezes à noite para urinar. Há 1 mês notou aumento de volume abdominal. Como não
melhorasse da falta de ar e do inchaço, tendo apresentado tosse com escarro
hemoptóico há 5 dias, procurou o PS do HMU. AP: Nascido em Ribeirão Preto,
zona rural, morou em casa de pau a pique. Conhece o “barbeiro” mas não sabe
se foi picado. Teve pneumonia aos 15 anos. Fuma cigarro de palha. Bebe meia
garrafa de pinga por dia. AF: pai e irmão tiveram morte súbita, aos 27 e 45
anos respectivamente. Nega HAS ou DM na família.
EF: REG, descorado+, dispnéico, icterícia conjuntival discreta, acianótico.
PA 100 x 80 mm Hg P= 78 bpm arrítmico afebril FR= 20 rpm
cabeça e pescoço: estase jugular ++ ; pulmões: FTV diminuído, submacicez
e MV diminuído em base de HTD, estertores em bases. Coração: ictus cordis no
6º EICE, 4 cm para fora da LHC, impulsivo, cobrindo duas polpas digitais. B1
hipofonética em FM. B2 desdobrada, estreita , com P2>A2. B3 audível em FM.
Sopro sistólico rude, +, em ejeção, no 2º e 3º EICE junto à borda
esternal. Freqüentes extrassístoles.
abdômen: globoso, fígado palpável a 6 cm da RCD, mole, doloroso; baço não
palpável nem percutível. Ascite +++, edema de parede abdominal ++. Genitais:
edema escrotal +++. Membros: edema +++ até a raiz das coxas e dor à palpação
das panturrilhas.
Exames subsidiários: HMG: Hb 10,4 g% leuc 14.000 (10-60-1-0-25-4) plaq
200.000
Na 129 K 4,1 U 87 creatinina 1,7
gasometria arterial: pH 7,46 pCO2 32 pO2 57 bic 22,4 Sat O2 90%
Evolução: o paciente foi tratado com heparina EV contínua. Evoluiu com
melhora da dispnéia e da tosse. Recebeu também digitálicos, diurético e
inibidor da enzima de conversão, com diminuição da ascite e dos edemas. A
heparina EV foi mantida por 10 dias, seguindo-se por fenindiona por VO. O
paciente recebeu alta após 30 dias, com melhora das condições clínicas.