Definições
Epilepsias: Alterações crônicas, recorrentes e paroxísticas na função
neurológica causadas por anormalidades na atividade elétrica.
Crise: Episódio de disfunção neurológicas.
Crises podem ser convulsivas (com manifestações motoras) ou com outras
alterações da função neurológica.
A epilepsia pode ser adquirida por:
· Lesão neurológica: tumor, trauma e processo inflamatório
· Lesão estrutural cerebral (mal-formações)
· Como parte de muitas doenças sistêmicas clínicas
· Forma idiopática (sem história de dano neurológico nem outra disfunção
neurológica aparente)
As crises isoladas e não recorrentes podem aparecer em pessoas saudáveis
por várias razões, e nestas circunstâncias a pessoa não é considerada como
epiléptica.
CLASSIFICAÇÃO DAS CRISES
As crises podem ser divididas em três grandes grupos: a) Crises parcias ou
focais; b) Crises generalizadas primárias; c) Estado de mal epiléptico
A. Crises parciais ou focais
Elas têm início com a ativação de uma área do córtex cerebral. Os
sintomas clínicos específicos dependem da área cortical envolvida e implicam
em disfunção de uma área limitada do córtex.
As crises parciais podem ser de 2 tipos:
simples: quando não há
alteração do nível de consciência ou do estado de vigília em relação ao
meio; e
complexa: tais alterações
ocorrem.
1. Crises parciais simples
Elas podem ocorrer com sintomas motores, sensitivos, autônomos e psíquicos.
Aquelas com sintomas motores envolvem contrações recorrentes dos músculos de
uma parte do corpo Sem perda da consciência. A atividade muscular pode
permanecer restrita a uma área ou se disseminar por outras áreas ipsilaterais
contíguas do corpo (evolução Jacksoniana).
Cada contração muscular é causada por descargas de neurônios na área
correspondente do córtex motor contralateral.
- Manifestações no EEG: descargas em forma de espícula que ocorrem
regularmente na área apropriada do córtex motor (período ictal).
No período interictal tal região pode originar descargas irregulares no
EEG.
As crises com sintomas sensitivos (além do motor) ocorrem com descargas
epileptiformes do córtex sensitivo contralateral.
As crises com sintomas psíquicos e autônomos ocorrem com descargas nos
lobos temporal e frontal.
2. Crises parciais complexas (crises temporais ou psicomotoras)
Elas são alterações episódicas no comportamento em que o indivíduo perde
a conciência.
O início dessas crises pode consistir em qualquer variedade de aura. Os
pacientes podem reconhecer a aura como um prenúncio da crise ou a memória da
aura pode ser perdida na amnésia pós-ictal, o que geralmente ocorre quando a
crise se generaliza (generalização secundária).
Sintomas:
- Sensação de atividade com atividade motora mínima (estalar os lábios,
deglutir, automatismos ...)
- Realização de tarefas altamente específicas
Quando a crise termina, o indivíduo está amnésia para as coisas que
ocorreram durante a crise e pode passar minutos a horas para que o indivíduo
recobre totalmente à sua consciência.
Manifestações no EEG
- espículas uni ou bilaterais, pontas-ondas e descargas de onda lenta sobre
regiões temporal ou fronto-temporal, tanto no período ictal, quanto no pós-ictal
ou interictal.
A maioria das crises se origina de uma atividade epileptiforme nos lobos
temporais, especialmente no hipocampo, amigdala, giro para hipocampal e úncus
=> Epilepsia de lobo temporal ou psicomotora.
Em alguns casos, apenas os eletrodos de profundidade mostram descargas da
crise.
Tanto crises parciais simples ou complexas podem progredir para crises
generalizadas com perda de consciência e freqüentemente com atividade motora
convulsiva.