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Choque Séptico - Caso Clínico e Questões

última atualização: 25/06/01 

  

 

caso clínico

HPMA: paciente feminina, 17 anos, procura PS com queixa de febre alta, dor em BV e corrimento vaginal amarelado há 3 dias. Refere amenorréia há 3 meses e há 5 dias havia se submetido à manipulação uterina com finalidade abortiva. EF: toxemiada, ictérica, confusa. T 39° C FC 140 spm FR 32 rpm PA 90x40 mmHg. Dor à palpação de BV, útero aumentado de tamanho e doloroso. Presença de leucorréia amarelada e fétida.

Laboratório: gasometria: pH 7,30 pCO2 20 pO2 60 bic 12

Na 140 K 5,0 Cl 90 ácido lático 20 mEq/l (nl até 1,5 )

TGO 100 TGP 80 BT 6 BD 5

HMG Hb 10 leuc 7.000 (15-55-0-25-5) plaq 50.000

TPAP 50% TTPA 2x o controle Fibrinogênio, F V e F VIII ¯ PDF ­

Uréia 150 Creatinina 2,0 Na urinário 5 mEq/l

R - X tórax: área cardíaca normal, congestão pulmonar

Evolução: foram colhidas culturas vaginais, hemoculturas e introduzida antibioticoterapia. A paciente foi submetida à curetagem uterina, após o que houve piora da insuficiência respiratória, oligúria e hipotensão, sendo a paciente internada na UTI onde foi submetida à cateterização de artéria pulmonar que revelou: AD 4 mm Hg PA 50x0 PCP 6 mm Hg FC 150 bpm DC 9 l/min RVS 300 dinas CAV O2 1,5 mO2/100 ml

Feita reposição volêmica com 1.500 ml de solução cristalóide com melhora da PA para 100x30 mm Hg, e introduzida dopamina para manter-se PAM 90 mm Hg, sendo em seguida colocada em assistência ventilatória e PEEP.

Foi indicada histerectomia total. O útero apresentava-se muito amolecido, com vários abscessos no miométrio. Poucas horas após a cirurgia foi possível interromper o uso de drogas vasoativas. Houve melhora das funções cardio-circulatória e renal, diminuição da icterícia e normalização das plaquetas, sendo colocada em ventilação espontânea a partir do 5º PO. Recebeu alta no 15º PO.


questões

1. Fisiopatologia do choque séptico. Estrutura da LPS (endotoxina).

2. Classificação atual de septicemia. Conceito de SIRS.

3. Durante a progressão do choque séptico observa-se 2 padrões hemodinâmicos distintos. Quais são eles em relação à PA ( sistólica e diastólica ), DPA, DC, RVS, contratilidade miocárdica, CAV O2, consumo O2 ( V O2 ) ?

4. “Insuficiência Respiratória é a mais importante causa de óbito nos pacientes com choque, particularmente após as alterações hemodinâmicas terem sido corrigidas. A lesão respiratória tem sido denominada pulmão de choque.” Qual o substrato anatomopatológico e qual a causa do pulmão de choque?

5. No seu entender qual a anormalidade que melhor define o diagnóstico de choque?

6. Qual o distúrbio ácido-básico mais precocemente verificado no choque séptico? Qual o distúrbio verificado na entrada da paciente e qual a sua causa?

7. Qual a utilidade do conceito de Ânion - Gap? Qual o AG do caso em questão?

8. Como você interpreta os seguintes dados: FR 32 pCO2 20 pO2 60 congestão pulmonar ao R-X de tórax PCP 6 mm Hg?

9. Qual o significado dos seguintes dados: plaq 50.000 TPAP 50% Fibrinogênio, F V e F VIII diminuídos, PDF aumentados?

10.Durante a admissão, qual a causa mais provável de insuficiência renal da paciente? Qual a razão do aumento desproporcional de uréia em relação à creatinina?

11.Em um paciente com choque séptico todos os esforços devem ser feitos no sentido de identificar e tratar, se possível através de excisão cirúrgica, o foco séptico primário. Qual foi a razão da piora da paciente, a despeito da antiobióticoterapia e curetagem?

12.É freqüente que durante a admissão do paciente com choque séptico se verifique hipovolemia. Qual a causa da hipovolemia desses pacientes? No caso em questão houve evidências de hipovolemia? Considere a importância de ressuscitação volêmica nestes casos. Quantidade e tipo de volume a ser administrado.

13.Tonometria gástrica. Metodologia.

14.Têm-se descrito no choque séptico um fator depressor do miocárdio. Como conciliar este fato com o achado de DC elevado neste caso?

15.Qual é a mais provável explicação para o achado de um CAV diminuído nesta paciente?

16.Qual o V O2 desta paciente? ( V O2 = DC x CAV x 10; normal = 225 a 275 )

17.Qual foi a conseqüência indesejada da reposição volêmica neste caso?

18.Quais as complicações hemodinâmicas relacionadas ao uso de PEEP que se verificaram?

19.Em um paciente com choque é necessário, muitas vezes, introduzir antibioticoterapia empírica, mesmo antes de termos a identificação do agente etiológico. Em certas situações clínicas existem bactérias mais freqüentes para as quais deve-se escolher antibióticos efetivos. Quais são essas bactérias nas situações abaixo discriminadas?

    · esplenectomizado

    · neutropênico

    · queimado

    · aborto infectado

    · víscera perfurada

    · prótese

    · colangite

    · pielonefrite

    · PBE em cirrótico

    · PBE em nefrótico

20.Qual o objetivo do uso de drogas vasoativas no choque séptico?

    · Noradrenalina: 0,1 a 1,5 mg/kg/min – predomínio de resposta aadrenérgica.

    · adrenalina: 0,5 a 1 mg/Kg

    · dopamina – precursor da noradrenalina - Revivanâ – 1 amp – 50 mg – 10 ml

dose dopa <5 mg/kg/min

dose b 5 a 10 mg/kg/min

dose α > 10 mg/kg/min

    · dobutamina – Dobutrexâ – fc com 250 mg em 20 ml – mistura racêmica de 2 isômeros com efeito final predominante b1 – doses de 5 a 10 mg/kg/min

    · Nitroprussiato de sódio - Niprideâ - 1 fc - 5 ml – 50 mg – 0,3 a 5 mg/kg/min

21.O uso de altas doses de corticosteróides no choque séptico tem mostrado benefícios evidentes?

22.Alternativas imunológicas terapêuticas na sepsis.

 

 

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